sexta-feira, 8 de maio de 2009

questões em jogo




Desenvolvemos um jogo que propunha 9 questões, retiradas e adaptadas de outros processos de criação, as quais deveriam ser respondidas individualmente. Após isto feito, nos encontramos para compartilhar essas respostas, porém experimentando diferentes metodologias ao responder oralmente cada pergunta*.

. 1. Trocamos, entre nós, os papéis com as perguntas e respostas impressas. Cada um deveria ler a resposta que estava impressa no papel que havia pegado e se apropriar, contando-s aos outros como se fosse sua.
. 2. Ler a resposta para os demais, sua ou não, convertendo-a para o contrário (Ex. Se a resposta diz que a pessoa gosta de criar coisas sozinha, o leitor deve dizer que gosta de criar coisas sempre com mais pessoas ao seu redor).
. 3. Ler a resposta para os demais, sua ou não, convertendo-a para o contrário, ou não (possível blefe).
. 4. 3 pessoas lêem a própria resposta e as outras 3 dizem com qual resposta se identificam e por quê.


*As respostas não foram postadas com o nome dos seus autores. Cada resposta está separada por espaços.


Evoco Jonh Cage para esta (densa) interlocução.


1 . Quais são as coisas ( idéias, sentidos, sensações, situações, etc.) que normalmente guiam você em direção aos seus atuais interesses?

Uma idéia de enredamento – de relação de partilha
Sensações – ambivalentes – conflitivas
Situações de cisão – romper fragmentar interromper tem sido importante para resignificar reciclar- harmonizar
O interesse é em harmonizar
A presença no mundo- com o outro – consigo proprio
Nescessidade interesse

Ser fiel às minhas vontades mais genuínas; perguntar-me constantemente o que quero fazer ainda nesta vida; dar espaço para os outros me surpreenderem (e a mim mesma) ; divertir-me sempre; recuperar a memória sempre que possível; ter espaço vazio para transformação constante.

Imagens e sensações. Hoje acho que o que me guia aos meus interesses são imagens concretas, como fotos, cartões postais, filmes, mas também imagens mentais criadas a partir da junção de diferentes fontes, de lembranças ou sensações

Procuro situações onde posso encontrar outros artistas e conversar sobre o trabalho que estamos desenvolvendo, juntos ou separadamente.
Procuro fazer perguntas sobre o que esses outros artistas estão fazendo e localizar coisas que me interessam, ou não, usando nosso diálogo como objeto de pesquisa. Durante os diálogos tento sempre identificar o ponto em questão e verificar se estamos falando sobre o objeto proposto (falando da mesma coisa) ou se estamos nos permitindo, conscientemente, ou não, a um diálogo mais aberto e permissivo, passível de bifurcações. Nesse jogo procuro reter observações sobre o que estamos falando e como estamos falando. Em outras palavras procuro reter informações sobre o objeto de pesquisa e sobre o que essa conversa está produzindo além do conhecimento compartilhado (ex. Ritmos, sonoridades, movimentações, tensões, concordâncias, outras idéias, etc.).
Outro exercício que me proponho atualmente é de tentar resistir um pouco mais quando sinto minha ansiedade tentar resolver problemas de forma automatizada. Quando alguma situação de difícil resolução se apresenta, tento não me satisfazer com as primeiras soluções, as quais meu corpo responde. Mesmo que depois de algum tempo de resistência eu escolha a primeira resposta que meu corpo havia gerado.
Através desse exercício tento ampliar meu espaço mental para que as idéias possam ser observadas por diferentes pontos de vista.



2 . Quais as coisas que levam você para situações insustentáveis?

Se eu vivo é porque eu todavia sustento
insustentavel é o bom humor
È o mau humor
É qualquer dor
Eu não consigo sustentar uma previsibilidade de mim
Uma previsão das minhas ocorrências- sentimentais –físicas
É insustentavel o amor todo dia?

Lesão no tornozelo, (in)tolerância (falta de amor e de generosidade).

Insustentável hoje pra mim é o que não tem flexibilidade, no sentido de abertura para mudanças de planos, idéias e conceitos. Situações e que sinto que não tem abertura, conversa, ou vontade de estabelece-las são insustentáveis, não prossigo, não continuo, não me interesso.

Ansiedade.
Quando sinto uma incoerência entre o meu desejo e a disponibilidade prática que tenho para realizá-lo.


3 . Como você refina ou desenvolve os seus sentidos?

Eu penso que eu ‘’treino’’ meus sentidos
eu tento me interessar por coisas comuns, eu tento cheirar a flor
Eu faço perguntas

Com 5 minutos ou uma noite de sono, relaxamento muscular, respiração; com uma boa caminhada, nadando, correndo, jogando futebol, dançando, trepando, e ouvindo música.

Criando novos parâmetros para suas percepções. Lendo, vendo, me expondo para o mundo acretido estar contribuindo para que meus sentidos se relacionem com este mundo de maneiras diferentes e por conseqüência estejam cada vez mais refinados, ou tenham mais possibilidades de escolha e refinamento.

Tenho refinado meus sentidos propondo, a mim mesmo e aos outros, questões que exigem respostas geradas por uma especifica organização do pensamento. Esse exercício me faz testar o tipo de comunicação que posso desenvolver com o mundo ao meu redor e elaborar pensamentos geradores de mais questões que possam movimentar outros pensamentos.
Ver e ouvir obras que normalmente não me atraem muito e tentar entender como a inteligéncia do criador daquele trabalho operou ao produzir aquele tipo de informação. Não incluo aqui as obras que acho ruins. Falo das que considero boas, porem não me atraem muito.
Procuro estar em silêncio como forma de resistência a velocidade das idéias e fantasmas que habitam meu corpo. Esvaziar a mente.


4 . Quais são as coisas que o seu trabalho produz, além do próprio trabalho em si? (ex. Eu sou coreógrafo, por tanto produzo coreografia. Porém para produzir isso eu compro livros, viajo, tenho encontros com outras pessoas e etc).

Eu não trabalho
Eu vivo, estabeleço relações contatos necessidades- co-depedencia
O proprio trabalho em si já é um tesouro
Para produzir eu me submeto ao sistema ;Vou ao super mercado mais barato mais proximo mais pratico;Mais possivel
Tenho cartoes de banco.Tenho paciencia. Pratico o interesse
Pratico o desinteresse
Faço rupturas .Faço rupturas que não quero .Percorro tuneis atras de alimento. Produzo lixo

Sou dançarina, fotógrafa, mas acabo escrevendo muito, desenhando (já fui anteriormente mais desenhista do que qualquer outra coisa); observo muito o comportamento das pessoas, troco experiências com outras pessoas, vou a muitos shows, espetáculos, gosto de desenvolver a análise crítica e realizar projetos em várias áreas. Sou de fato plurifacetada.
Meu trabalho produz também muita ansiedade e insônia.

Encontros. Leituras. Interesse em arte, em política, em filosofia, em discussão. Viagem, pouco tempo em casa, pouco tempo com família, dificuldade de organização do tempo, varias atividades simultâneas, parcerias, dificuldade de planejamento financeiro.

Vejo e revejo muitos filmes.
Frequento festas para me divertir e conhecer pessoas com as quais posso conversar sobre trabalho e perceber como essas pessoas percebem aquilo que faço.
Uso muito a internet para organizar o trabalho e me comunicar. Uso muito o youtube e sites para conhecer os trabalhos de outros artistas.
Utilizo vans para me locomover nas cidades onde estou trabalhando.
Refeições fora de casa fora de casa.
Viajo por direrentes países.
Vejo muitos filmes de dança e performance.
Participo de muitos debates críticos com os meus amigos sobre o ambiente politico no qual vivemos e trabalhamos.
Dores no corpo e insônia.
Desgaste físico e emocional por causa da inconstância econômica e das mudanças bruscas de contextos (quando um projeto finaliza-se e de repente você está sozinho após passar meses convivêndo intensamente com um grupo de pessoas).
Me incomodo com a expectative do mercado das artes e com o ritmo que ele impõe aos artistas.


5 . Quais dessas coisas que você listou anteriormente você considera lixo?

Não gosto do lixo
Não gosto de considerar a coisas um lixo
defecar

Ansiedade.

Dificuldade de planejamento em geral, financeiro, de tempo e de interesses.

Dores no corpo e insônia.Desgaste físico e emocional por causa da inconstância econômica e das mudanças bruscas de contextos (quando um projeto finaliza-se e de repente você está sozinho após passar meses convivêndo intensamente com um grupo de pessoas).


6 . O que você normalmente recicla no seu trabalho?

Tudo que eu posso
Eu mesma, Minha voz meu cabelo minhas celulas
Meu foco
Meu interesse em estar- minha forma de estar presente?

Tudo. Ou pelo menos deveria.

Idéias. Falo que reciclo idéias porque acho que elas não surgem do nada, acho que são provenientes de algum lugar e no processo reciclamos, usamos de outro jeito, modificamos e resignificamos.
Nunca procuro inaugurar uma experiência nova desconsiderando a anterior. Sempre fico atento ao que uma experiência me oferece de interessante para que eu possa, utilizar essa mesma coisa fora dali.
Então acabo levando algumas coisas para as próximas experiências.
Penso que usar modelos já existentes em diferentes contextos é um exercício ótimo porque vc é obrigado a reorganizar um mesmo modelo a cada experiência. É uma ótima estratégia de sobrevivência. O cérebro se acostuma com a mudança e com as possibilidades improváveis da vida.
Textos e referências.
Questões de outras pessoas, as quais passam ser minhas em outros contextos. Muitas vezes um problema que me deparo faz-me pensar sobre como alguma pessoa que está longe resolvería-o.


7 . Como é que o ambiente do seu trabalho reflete no ambiente em que você vive?

Eu não trabalho porque eu sou trabalho
Tudo é reflexo
E sombra

Como trabalho muito em casa, reflete muito. Ás vezes não consigo descansar, estou constantemente pensando em trabalho. Sou levemente workaholic (quase uma patologia).

Tentando trabalhar de forma menos hierárquica, menos autoritária e mais partilhada, o meu ambiente de vida consequentemente fica mais partilhado, solidário. O meu ambiente de vida e meu ambiente de trabalho se coincidem e se influenciam mutuamente e ininterruptamente. Acho que são indivisíveis

Sinto que o ambiente da dança contemporânea que estou envolvido acaba produzindo nas pessoas que entram em contato


8 . Como você descreveria o ambiente que os seus sentidos costumam construir nos seus momentos de criação? (pessoal e/ou coletivo)

O ar se torna moldável, como se meus movimentos deixassem rastros (às vezes deixam). O tempo e o espaço se dilatam e todos os sentidos tornam-se mais sensíveis, a pele permeável; tudo é permitido, há um observador (eu mesma) a todo instante, verificando e registrando todo e qualquer movimento, imagem, ruído, mudança de temperatura e densidade. O corpo não cabe em si, mas tem plena consciência dos seus limites.

Ambiente vivo, é como se tivesse no meio de um enxame de insetos bem pequeninos, mas não me incomoda, é um enxame que fica o tempo todo voando, com asas batendo bem rápido, e as vezes eu vôo com eles, ou pego um pra conversar e fazer algo, ou espanto todos. As coisas vão variando junto desse enxame vivo e permanente.
Quando estou sozinho não consigo criar nada de concreto. A velocidade das minhas idéias não permite que eu reconheça algo além da própria velocidade com que elas movimentam meus pensamentos.
Criação para mim tem haver com as relações que estabeleço com os outros. Sempre que me sinto potente criativamente sinto que estou em um ambiente onde as idéias estão circulando e se transformando sem perderem o sentido de estarem sendo ditas.


9 . Se esse ambiente no qual você normalmente se encontra ao criar algo, fosse transformar você em alguma coisa ou alguém, que coisa ou alguêm você seria ? (ex. Uma foca, um bomba relógio minutos antes da explosão …)

Se não gostou da resposta
Sou a possuída ?
A mulher invisível
Nunca pensei em ser uma foca

Depende do ambiente, do foco, do exercício, do dia, de como eu estou, o que comi, etc. Acho que eu posso ser qualquer coisa, já me vi sendo várias pessoas.

Um inseto!

Eu me transformaria num aparelho de rádio antigo e resistente.





















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